Leituras em dia.
Catarina de Bragança - Isabel Stilwell
Filha de D. Luísa de Gusmão e D. João IV, o Rei que deu de novo a independência a Portugal em 1640, Catarina é retratada de uma forma semi-romanceada por Isabel Stilwell que sabe escrever, e bem, sobre os personagens históricos que escolhe.
A Inglaterra era à época um país cheio de dificuldades económicas e o dote de Catarina que casou com Carlos II era precioso, pois incluia: "um dote, que garantiam, nenhuma outra princesa alguma vez levara consigo. A lista era extensa: diamantes, jóias, pedraria, outo, prata, azeite fino, especiarias, açucar, e ainda Tânges e Bombaim"...."Tânger e a possibilidade de comércio na Mediterrâneo, a porta que os nossos reis conquistaram; Bombaim, com a sua imensa riqueza e a localização estratégica dos seus portos. É um destino imperial que se abre ao reino de Inglaterra."
Carlos II teve inumeras amantes de quem teve muitos filhos, Catarina esteve várias vezes grávida, mas nunca conseguiu ter filhos (Catarina sofreu imenso com tudo isso), se os tivesse tido a história de Inglaterra hoje seria diferente.
Curioso estar a escrever este post no dia em que pela última vez se festeja o feriado da Restauração da Independência porque causa da revolta do 1º de Dezembro de 1640. A crise conjuntural acaba com o feriado que dá origem a todos os outros, se não fossem os acontecimentos que se comemoram neste dia (que já foi dia de Portugal), seríamos espanhóis e os nossos feriados seriam impostos por Madrid!
O efeito Facebook - David Kirkpatrick
Leitura obrigatória nos dias de hoje para quem quer saber mais sobre a versão da história do Facebook com a participação de Mark Zuckerberg . Mas, esta leitura deve ser complementada com a leitura do livro Milionários Acidentais que não teve a sua autorização e por isso conta uma parte da outra versão da história.
"Desde os primeiros tempos que o Facebook tem um aspecto simples, limpo e organizado. Zuckerberg há muito que se interessava por um design de interface elegante. No seu próprio perfil de Facebook, apesenta uma lista dos seus interesses: «sinceridade, partir coisas, revoluções, fluxo de informação, minimalismo, fazer coisas, eliminar o desejo por tudo o que realmente não importa». No entanto, apesar do interesse do fundador pelo minimalismo, existe no Facebook muita inclinação para o excesso. O Facebook é todo ele informação, durante todo o tempo. Todos os meses, cerca de 20 mil milhões de peças de conteúdo são lá colocadas pelos seus membros - incluindo hiperligações, notícias, fotos, etc."
"A era moderna das redes sociais começou finalmente no início de 1997. Foi quando uma start-up chamada sixdegrees.com, com sede em Nova Iorque, inaugurou um serviço inovador baseado em nomes verdadeiros. Duas sociólogas da Internet, danah boyd e Nicole Ellison, destacaram as características mais evidentes de uma verdadeira rede social num artigo de 2007: um serviço onde os utilizadores podem «construir um perfil público ou semipúblico», «articular uma lista de outros utilizadores com quem partilhem uma ligação» e «navegar na sua lista de relações e nas feitas pelos outros dentro do sistema».
"Os designs criados pelos membros foram a forma como o Myspace conseguiu a sua imagem distinta - gráficos brilhantes e imagens divertidas. Mas se este visual pode não ter sido intencional, depressa se tornou propositado pela manutenção da cultura do Myspace - se se pode fingir ser qualquer pessoa, também se tinha liberdade de fazer com que o perfil se parecesse com o que bem entendesse. ...
Tal como Angwin explica cuidadosamente em Stealing Myspace, os astutos fundadores tiveram um excelente sentido de oportunidade. O mundo já estava preparado para uma rede social massiva. O sixdegrees viera demasiado cedo - faltava-lhe a ambiente online adequado para vingar. Mas esse ambiente chegou finalmente. Em 2003, realça Angwin, a percentagem de norte-americanos com acesso de banda larga Internet tinha aumentado de 15 para 25 por cento."
"Zuckerberg depressa se apercebeu de que a Google, no topo da cadeia alimentar de Silicon Valley, era a principal concorrente do Thefacebook no que dizia respeito a talento. Afinal, era ali que quase todos os engenheiros de de software ambicionavam trabalhar. Eram essas as pessoas que o Thefacebook devia contratar. Bastava que Zuckerberg soubesse que a Google estava a entrevistar alguém, para querer contratar também essa pessoa."
"Todas as empresas de tecnologia atravessam um ou dois momentos de transicção cruciais, em que os seus criadores descobrem que desenvolveram algo diferente - e maior - do que, inicialmente, tinham idealizado. Bill Gates apercebeu-se cedo. Por essa altura, fabricava software à medida para pequenas empresas de hardware para computadores pessoais, com o parceiro Paul Allen, e descobriu que o software devia passar a ser a sua própria indústria. Mais tarde teve uma segunda revelação memorável; podiam construir-se computadores inteiros baseados num sistema operativo. Consequentemente, a Microsoft tornou-se a empresa mais lucrativa da história. Uma noite, os fundadores da Yahoo, Jerry Yang e Jeff Filo, viram que não tinham apenas uma mapa da Internet. O serviço que prestavam podia também ser uma forma inédita de recolher pesquisa de mercado pormenorizada sobre os utilizadores da Internet. A Yahoo tornou-se a primeira empresa de comunicação social na Internet financiada maioritáriamente por publicidade. A viragem da Google deu-se quando os fundadores Sergei Brin e Larry Page descobriram que podiam direccionar as pesquisas dos utilizadores não só para sites, mas também para uma base de dados de publicidade diversa. Assim, nasceu o modelo de negócios mais importante da era da Internet, pelo menos até agora.
O primeiro momento revelador de Zuckerberg foi quando ele e Moskovitz perceberam que o serviço deles poderia ir mais além da universidade. Mas tiveram outro quando se aperceberam do sucesso inesperado dos tags das fotografias. Era evidente que estava a acontecer algo de especial. «Faltam características ao nosso site de fotografias que qualquer um pudesse criar». Disse Zuckerberg, no início de Maio de 2007. «Não conseguimos guardar fotografias de alta resolução. A função que permite imprimir tem muito pouca qualidade e, até há pouco tempo, não se conseguia alterar a ordem das fotografias nos álbuns. Porém, esta aplicação tornou-se, de certa forma, o site de fotografias mais utilizado na Internet, de longe.» E estava a acontecer algo semelhante com a aplicação que os engenheiros do Facebook tinham concebido rapidamente para permitir aos utilizadores convidarem os amigos para participarem em eventos. Estava a ser mais usada que o Evite.com, que durante anos, fora o site mais usado para fazer convites.
«Porque são as fotografias e os eventos tão bons?» perguntou. «Porque apesar de todas as falhas que apresentavam, tinham algo único. A integração com o diagrama social». Era este o grande feito conceptual do Facebook e Zuckerberg sentia orgulho do termo que usou para o descrever. «Ponderámos e decidimos que o valor central do Facebook se encontra no conjunto das ligações entre amigos», prosseguiu. «Chamamos-lhe diagrama social, no sentido matemático de uma série de nódulos e ligações. Os nódulos são os indivíduos e as ligações as amizades». Nessa altura, pareceu que o seu entusiasmo foi desviado em direcção ao exagero: «Temos o mecanismo de distribuição mais poderoso criado nesta geração.» Zuckerberg explicou, sem modéstia, que este mesmo poder podia ser inserido em qualquer aplicação - não apenas nas fotografias e nos eventos. A sua segurança era surpreendente."
"No Verão de 2008, os problemas descontrolaram-se completamente. A plataforma do Facebook era uma selva sem lei,... o Facebook anunciou uma série de melhoramentos e alterações de regras, incluindo um sistema de avaliação. Agora o Facebook conseguia eliminar as aplicações, «verificando» as que eram boas. O Facebook queria encorajar as aplicações mais divertidas e úteis. Apesar de toda a parafernália, um grande número de aplicações substanciais e úteis conseguiram alguma atracção. Uma famosa, Visual Bookshelf, permitia-lhe listar livros que já tinha lido, classificá-los e escrever pequenas críticas.
Mas a aplicação do Facebook preferida de Zuckerberg era a Causes, criada por Parker e Green. Era motivada por razões nobres; ajudar organizações não governamentais a a angariar fundos.....A Causes continua a ser uma das aplicações mais importantes do Facebook.
Por esta altura, o ecossistema da plataforma tinha-se tornado substancial. Havia mais de 500 mil aplicações a funcionar no Facebook, criadas por mais de um milhão de programadores registados, de 180 países. Mais de 250 destas aplicações têm mais de uma milhão de utilizadores activos todos os meses. Os investidores estão muito esperançados em relação a este novo tipo de empresas de software. Só as cinco empresas de aplicações de topo - Zynga, Playfish, Rock You!, CrowdStar e Causes - já angariaram 359 milhões de dólares em capital de investimento".
"Afinal a visão de Mark Zuckerberg é dar poder ao indivíduo. Para ele, a coisa mais importante que o Facebook pode fazer é dar às pessoas ferramentas que lhes permitam comunicar de uma forma eficiente e ter sucesso num mundo onde todos temos cada vez mais informação à nossa volta, independentemente do que façamos. Quer ajudar a evitar que os indivíduos se sintam esmagados à medida que grandes instituições tanto nos negócios como no governo conquistam mais recursos computacionais e de informação."
Página pessoal de José Luís Reis
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